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Artículos de portugués

INSCRIPCIONES CURSOS DE PORTUGUÉS 2018/2019

Cursos de portugués 2018/2019 – ABIERTAS INSCRIPCIONES

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Aprender PORTUGUÉS en Madrid en un entorno cultural único

AGORALÍNGUA cuenta con un equipo de excelentes profesores, nativos de Portugal y Brasil, licenciados y especializados en la materia que imparten.

Los cursos de portugués en Madrid se adaptan a las nuevas tecnologías. Aplicamos una metodología activa, basada en actividades de desarrollo equilibrado de las destrezas escritas y orales. Usamos materiales escritos, sonoros y audiovisuales, programas multimedia y los creados por los propios alumnos.

Elige la modalidad que mejor responda a tus intereses: cursos de portugués presencial, a distancia, intensivo, preparación a examen, portugués especializado.

Cursos de portugués en Madrid para adultos

Cursos de verano para adultos

Aprovecha el verano para iniciar tu aprendizaje del portugués o continuar progresando en su conocimiento y sube de nivel en poco tiempo. junio, julio y septiembre

Curso de portugués general

Cursos de portugués 2018 1Progresa en el conocimiento de la lengua portuguesa ya seas principiante, tengas un nivel intermedio o avanzado. Elige el curso de portugués que mejor se adapte a tus necesidades.

Cursos intensivos de portugués

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Conversación

Habla portugués en un entorno lusófono único en el centro de Madrid, en un grupo reducido y con un tema diferente cada mes. Cursos de portugués 2018 2

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Los exámenes certifican los conocimientos lingüísticos, tienen reconocimiento mundial y representan una importante herramienta para tu futuro. Los Exámenes se realizan en nuestro academia de portugués en la Calle Donoso Cortés 47 – Madrid en tres convocatorias anuales: mayo – julio – noviembre.

Preparación de exámenes oficiales

Prepárate en Agoralíngua los exámenes CIPLE (A2), DEPLE (B1), DIPLE (B2), DAPLE (C1) y DUPLE (C2) y adquiere todas las competencias necesarias para afrontar las diferentes pruebas de un examen oficial.

Cursos de portugués 2018 3Por qué estudiar en Agoralíngua de Madrid

A través de nuestros cursos de portugués para adultos en Agoralíngua podrás aprender la lengua portuguesa, ambas variantes (Europea y Brasileña) y ampliar tus conocimientos sobre cultura lusófona en un entorno único en el centro de Madrid.

Nuestros profesores nativos están plenamente especializados para impartir unos cursos de portugués con una metodología eficiente, innovadora y eficaz.

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Diálogos contemporáneos: «Encuentros literarios sobre la Mujer y la Palabra» con la escritora portuguesa Lídia Jorge, Rosa Montero y Filipa Soares.

Lídia Jorge – Escritora Portuguesa

LOS TIEMPOS DEL ESPLENDOR

jueves 23 de noviembre de 2017

Biblioteca Pública Municipal Eugenio Trías.

Casa de Fieras de El Retiro

  • PRECIO: Gratuito
  • FECHA: jueves 23 de noviembre de 2017 a las 19:00
  • ORGANIZA: Editorial La Umbría y la Solana y el Centro de Lengua del Instituto Camões en Madrid. www.laumbriaylasolana.es

Diálogos contemporáneos: «Encuentros literarios sobre la Mujer y la Palabra» con Lídia Jorge, Rosa Montero y Filipa Soares.

En esta ocasión presentaremos el libro “Los tiempos del esplendor” de la escritora portuguesa Lídia Jorge.

Entrada libre hasta completar aforo.

Diálogos contemporáneos: «Encuentros literarios sobre la Mujer y la Palabra» con Lídia Jorge, Rosa Montero y Filipa Soares.

En esta ocasión presentaremos el libro “Los tiempos del esplendor” de la escritora portuguesa Lídia Jorge.

Entrada libre hasta completar aforo.


Nació en el Algarve (Portugal) el 18 de junio de 1946.

Su primera novela, O Dia dos Prodígios (1980) supuso un importante acontecimiento literario, e inició una nueva etapa en la narrativa portuguesa reciente. O Cais das Merendas (1982) y Noticia de la ciudad silvestre (1984) fueron ambas distinguidas con el Premio Literario del Municipio de Lisboa; después vinieron La costa de los murmullos (1988), A Última Dona (1992), O Jardim sem Limites (1995), galardonada con el Prémio Bordallo de Literatura da Casa da Imprensa, A Maçon(teatro, 1996) y Marido e Outros Contos (1997).

El fugitivo que dibujaba pájaros (1998) se ha publicado con gran éxito de crítica en ocho países europeos y en Estados Unidos, y ha merecido los siguientes premios: el Dom Diniz, el Bordallo, el del Pen Club portugués, el Máxima y el Jean Monnet de Literatura.

5 para a meia noite: Pachorra? Isopor? Sebenta? Xaveco? Bofia?

Português de PT vs Português do BR

Os portugueses e os brasileiros falam a mesma língua, mas para certas palavras precisam de um tradutor.

Você sabe o que quer dizer PACHORRA (Portugal)? 

O que é ISOPOR (Brasil)?

PORTUGAL vs BRASIL

Pachorra (Pt) = Paciência (Pt/Pb)

Isopor (Pb) = Esferovite (Pt)

Sebenta (Pt) = Apostila (Pb)

Xaveco (Pb) = Paleio /Conversa fiada (Pt)

Bofia (Pt) = Policia (Pb)

Açougue (Pb) = Talho (Pt)

Guedelha (Pt) = Cabelos desgrenhados (Pt/Pb)

Video completo: http://bit.ly/2z960Aa
#5meianoite

1ª Sessão Pipoca – Conversa em português

Não perca a nossa 1ª Sessão Pipoca!!

Sexta-feira, 1 de dezembro às 19:30

Assista a parte do filme português Os gatos não têm vertigens e depois CONVERSE EM PORTUGUÊS sobre o mesmo.

PRATIQUE PORTUGUÊS de uma forma divertida e relaxada!

Reserve o seu lugar na secretaria do centro ou por email para cursos@agoralingua.com

Conversa com Pipocas: 5,00€            –   LUGARES LIMITADOS  –

 

Os Gatos Não Têm Vertigens

Título original: Os Gatos Não Têm Vertigens

De: António-Pedro Vasconcelos

Com: José Afonso PimentelNicolau BreynerJoaquim LeitãoRicardo CarriçoMaria do Céu Guerra

Género: Comédia Dramática

Outros dados: POR, 2014, Cores, 124 min.

Apesar dos seus 18 anos, Jó (João Jesus) é já um rapaz desencantado com a vida. Proveniente de uma família disfuncional, criado com pouco afeto e compreensão, acabou por se deixar influenciar pelas piores companhias do bairro. Rosa (Maria do Céu Guerra), com 73 anos, é uma mulher frágil e bondosa que se debate com a incapacidade de lidar com o recente falecimento de Joaquim (Nicolau Breyner), com quem partilhou quase toda a existência. Quando, depois de uma discussão particularmente violenta, Jó é expulso de casa pelo pai, refugia-se no terraço de Rosa, onde decide passar a noite. Na manhã seguinte, a velha senhora descobre o rapaz e decide acolhê-lo em sua casa. Entre os dois nasce uma enorme cumplicidade que, apesar de incompreendida por todos, se torna a cada dia mais forte e verdadeira…

Com realização de António-Pedro Vasconcelos (“Jaime”), uma história incomum sobre o amor e a amizade entre dois seres que, contra todas as probabilidades, se completam nas suas diferenças.

Em 2015 recebeu 9 Prémios Sophia, incluindo Melhor Filme, Melhor Realizador (António-Pedro Vasconcelos), Melhor Actor (João Jesus) e Melhor Actriz (Maria do Céu Guerra).

 

 

Desistir para ganhar – Crónica de Manuel Clemente (Público)

“Talvez o primeiro momento em que tivemos de decidir “esquerda ou direita?” tenha sido nas vésperas da ida para a faculdade. Parece surreal (e para mim é) que se esteja a pedir a jovens de 18 anos que decidam naquele momento qual vai ser a sua profissão para o futuro. Ao mesmo tempo que não têm autonomia para ir à casa de banho sem pedir ao professor, exige-se que saibam o que querem fazer das suas vidas. É, no mínimo, incoerente.”

Desistir para ganhar

Sem saber nem como nem porquê, tornámo-nos pessoas medíocres. Até nos podemos achar boas pessoas, mas não soubemos ser pessoas boas para nós mesmos. O “não me apetece, mas tem de ser” ecoa nas nossas cabeças vezes suficientes para nos levar a crer que tem mesmo de ser assim. Mas será que tem?

Manuel sofre de curiosidade compulsiva e é autor do blogue Semtimenos

Texto de Manuel Clemente • 14/11/2017 – 13:57

Qualquer um de nós seria o primeiro a reprovar a falta de inteligência de um agricultor que, sendo proprietário de um terreno fértil, optasse por plantar as suas sementes num areal. Porém, é isso que sistematicamente vamos fazendo com as nossas vidas. Desperdiçamos toda a nossa paixão, talento e entusiasmo em rotinas arenosas que enclausuram o brilho que carregamos no âmago do nosso ser. Vivemos desencontrados de nós mesmos. Vemo-nos cada vez menos e, muitas vezes, morremos (quase) literalmente de saudades de nós próprios. Porém, parece que este distanciamento da nossa essência é um alarme que não toca alto o suficiente para que acordemos do coma social. Mas afinal, onde é que nos perdemos? Em que fase deixámos de trilhar o nosso próprio caminho?

Talvez o primeiro momento em que tivemos de decidir “esquerda ou direita?” tenha sido nas vésperas da ida para a faculdade. Parece surreal (e para mim é) que se esteja a pedir a jovens de 18 anos que decidam naquele momento qual vai ser a sua prof

issão para o futuro. Ao mesmo tempo que não têm autonomia para ir à casa de banho sem pedir ao professor, exige-se que saibam o que querem fazer das suas vidas. É, no mínimo, incoerente. Contudo, e colocando a discussão dos sistemas de educação de parte, é na escolha do curso que muitos de nós calça pela primeira vez sapatos que não são os seus. O facto de se ter boas notas rapidamente remete quem nos rodeia para a ideia de que não se pode “desperdiçar” a média em “cursos sem saída”. A meu ver, a única coisa sem saída neste tipo de sugestões é o beco em que sugerimos que a pessoa enfie a sua vida. Temos de ter uma carreira, estabilidade financeira, estatuto social e, em troca, uma vida enfadonha. Para quê? Ter “Dr.” ou “Dra.” antes do nome no cartão multibanco nunca foi, nem nunca será, sinónimo de alegria. Provavelmente foi aqui a primeira vez em que, para nos sentirmos mais (des)integrados, pusemos de parte aquilo que nos apaixonava.

Entretanto, a vida continuou. Temos agora um curso e um trabalho que não nos dizem grande coisa, mas toda a gente diz que “é melhor que nada”. Se é o que toda a gente diz, nós temos mais é que acreditar. A possibilidade de estarem todos enganados nem nos passa pela cabeça. Somos agora demasiado novos para assentar e demasiado crescidos para andar a saltar de namoro em namoro. Ainda assim, ficar no meio-termo é demasiado “arriscado” face ao que podem julgar de nós. À semelhança da profissão que exercemos, o nosso relacionamento já não nos faz palpitar o coração. As borboletas no estômago há muito que bateram as asas para outro lado e a força do hábito é a única coisa que nos mantém unidos. A auto-estima naufragada no mar da apatia leva-nos a ter a certeza de que melhor do que aquilo que temos já não vamos arranjar. “Mais vale um pássaro na mão do que dois a voar”, mesmo que esse pássaro já não saiba bater as asas. Portanto, o cenário mais seguro será acomodarmo-nos. Desta forma junta-se à vida profissional mais ou menos uma vida amorosa assim-assim.

Sem saber nem como nem porquê, tornámo-nos pessoas medíocres. Até nos podemos achar boas pessoas, mas não soubemos ser pessoas boas para nós mesmos. O “não me apetece, mas tem de ser” ecoa nas nossas cabeças vezes suficientes para nos levar a crer que tem mesmo de ser assim. Mas será que tem?

Para ganhar, às vezes, é necessário desistir. Abdicar daquilo que não é nosso alivia a nossa mochila existencial e, por isso, o nosso voo fica facilitado. Se não for justo, então não serve. Viver à larga passa por recalcular a rota e evitar os caminhos mais apertados. E tudo isto depende mais de nós do que imaginamos. Não se trata daquilo que a vida fez connosco, trata-se sim daquilo que nós soubemos fazer com aquilo que a vida fez connosco. E não, não é preciso ser-se nem destemido nem audaz, muito menos corajoso. Levar uma vida (es)forçada requer muito mais energia e destreza do que viver a nossa verdadeira vida. Experimenta espreitar além da cortina que nos rodeia e aí reencontrarás tudo aquilo que a intuição já te vem gritando há tempos.

Tenta e (vi)verás.

In Publico: http://p3.publico.pt/actualidade/sociedade/24971/desistir-para-ganhar

A traçoeira língua portuguesa: errar é humano e fácil

A traçoeira língua portuguesa: errar é humano e fácil

 

Texto de Carolina Reis

Infografia Carlos Esteves

A língua portuguesa é um terreno fértil para erros ortográficos. São esses os que mais se notam, mas não são 
os únicos que os portugueses cometem com facilidade

Avia um tempo em que, concerteza, seria mais difícil encontrar erros ortográficos nos textos. Mas derepente, quase sem dar-mos por isso, vieram os corretores automáticos. Ha culpa também é do Acordo Ortográfico, que interviu na maneira como escrevemos e falamos.

Calma, caro leitor. Não perdemos a cabeça e deixámos de saber escrever. Temos perfeita noção de que o parágrafo anterior está cheio de erros ortográficos. Porém, é provável que algum leitor, em certo momento da vida, tenha cometido um deslize em qualquer destas palavras, a falar ou a escrever.

É mais comum do que se pensa. Os erros das primeiras frases são alguns dos mais comuns em Portugal (ver gráfico ao lado). Palavras que devíamos ter aprendido a escrever corretamente durante a escola primária transformam-se em quebra-cabeças da língua portuguesa. “Nas aulas de correção linguística que dou, a maioria dos grande erros que me chegam às mãos tem a ver com o não domínio básico do português. A nível da sintaxe básica, para não falar da componente linguística e gramatical”, explica Lúcia Vaz Pedro, professora e formadora de língua portuguesa. Desde que o Acordo Ortográfico entrou em vigor, este passou a ser uma desculpa apetecível para quem se engana a escrever ou falar. E há erros um pouco para todos os gostos. Os ortográficos são os que dão mais nas vistas, mas há quem tenha dificuldade em fazer a concordância, a pronominalização, quem separe o sujeito e o predicado com vírgulas…

E há outros erros que surgem até do próprio sistema linguístico, por exemplo, devido à semelhança entre o ‘c’ e ‘s’. “São elementos que têm o mesmo valor fonético. São erros compreensíveis e têm de ser combatidos através da gramática. O aluno tem de conhecer os elementos que fazem sentido. Ao conhecer essas raízes, começa a dar menos erros”, explica Luís Ramos, professor e membro da Associação de Professores de Português.

Nas aulas de Luís Ramos são comuns os erros na terminação da terceira pessoa do plural dos verbos, em que a expressão ‘am’ é substituída por ‘ão’; a troca de consoantes, escrevendo-se ‘promenor’ em vez de ‘pormenor’; a queda de vogais, em que ‘interessado’ se transforma em ‘intressado’… Muitos destes erros são baseados na parofonia (alteração de voz) e na homofonia (semelhança de sons e pronúncias). São os casos de ‘cria’ (queria), ‘dorante’ (durante), ‘logar’ (lugar), ‘perguntoulhes’ (perguntou-lhes), ‘pessoua’ (pessoa), ‘audiçõens’ (audições), ‘fazes’ (fases), ‘éra’ (era), ‘gitarra’ (guitarra), ‘nu’ (no), ‘houra’ (hora), ‘nein’ (nem), ‘subio’ (subiu), ‘cócigas’ (cócegas)…

Entre os erros mais frequentes na oralidade há um bastante comum e fácil de identificar: confundir a segunda pessoa do singular com a segunda pessoa do plural. São os casos de ‘fizestes’, ‘comestes’, ‘fostes’… O mau domínio do português vê-se também na pontuação. Uma vírgula parece um elemento simples, mas não é. “Os portugueses dominam mal a língua, no geral. Não sabem acentuar nem pontuar. Uma vírgula tem muito que se lhe diga. E pode-se dizer muito apenas com uma vírgula”, continua Lúcia Vaz Pedro.

Já muito se escreveu sobre erros de ortografia e fonia. E às vezes as figuras públicas cometem erros, como aconteceu em junho com os DAMA, que escreveram “se sim tasse bem, se não tasse bem também” numa publicação no Facebook. O post correu a internet com frases de gozo, mas também motivou artigos sobre como escrever em português correto. É normalmente nessa altura que se recorre ao “Dicionário de Erros Frequentes da Língua”, de Manuel Monteiro, para relembrar que Hádes é um deus grego e não a conjugação do verbo haver; que se diz e escreve derivado de; que cerca é uma vedação e que acerca é um advérbio; e que um concelho é um distrito administrativo…

QUEM ERRA MAIS

No campeonato do erro, não são apenas os falantes de língua portuguesa que têm problemas. Os idiomas não são comparáveis, mas não se pode dizer que os portugueses escrevam pior do que os britânicos. O que se pode afirmar é que, por exemplo, no Reino Unido há probabilidade de enganos. O risco de errar é maior, porque a língua é menos transparente. “Há línguas mais transparentes e outras mais opacas. Já o catalão é uma língua mais transparente, porque há menos dupla interpretação”, explica Luís Ramos.

Mas, afinal, qual é a gravidade de um erro? Qualquer um é motivo de vergonha para enterrar a cabeça na areia? “Não há ninguém que escreva ou fale sem erros”, afirma o professor de português. Depende sempre da posição de quem o diz. Se for um político a discursar durante uma sessão na Assembleia da República, há menos desculpas, já que a exigência é maior. Porém, há sempre um rótulo que fica. E os erros ortográficos rotulam mais.

“Há um discurso por aí que valoriza demasiado os erros ortográficos, quando há erros mais graves, como os sintéticos, os semânticos, a utilização de expressões erradas, erros de composição, de discurso, de construção textual. São esses os mais difíceis de corrigir”, sublinha Luís Ramos. Não sendo uma língua muito opaca, escrever em bom português requer um crescendo grau de complexidade.

In Expresso 

Festival Fado Madrid 30 de jun a 2 de jul

Festival Fado Madrid

@Festivalfadomadrid

 

Everything Is New y Alto Bom Som presentan la séptima edición del Festival Fado Madrid el 30 de junio al 2 de julio con Raquel Tavares, Gisela João e Camané .

Hay conciertos, conferencias, cine y exposiciones.

Página Web Oficial

 

JUN 30

Raquel Tavares – 30 Junio – Festival Fado Madrid

Hoy a las 20:30 · Teatros del Canal · Madrid

JUL 1

Gisela João – 1 Julio – Festival Fado Madrid

Mañana a las 20:30 · Teatros del Canal · Madrid

JUL 2

Camané – 2 Julio – Festival Fado Madrid

Dom 20:30 · Teatros del Canal · Madrid

 

La arte de la música y de los sonidos que la hacen, el Fado es la imagen con que se muestra y nos fascina. Poderosa inmanencia de un colectivo, la historia del Fado es tan bien la historia de todos aquellos que lo recriaran y celebran en otros dominios de la creación artística.

En el teatro marcó presencia desde 1870, encantando sucesivas generaciones de actores, directores y productores teatrales, que temprano contribuirán para su diseminación cerca de los públicos cada vez más alargados. Con el cine mantuvo un dialogo antiguo y cómplice, desde la época matricial del cine mudo de las primeras décadas del siglo XX hasta la producción contemporánea.

En las artes visuales portuguesas, el Fado constituí objeto de fascinación e inagotable citación por sucesivas generaciones de artistas, en el  cuadro de distintas  disciplinas, motivaciones y restricciones estéticas, ideológicas o simbólicas. Fruto de su consagración gradual cerca  de otros públicos, la representación plástica del Fado ha sucedido en el cuadro de una amplia versatilidad artística, copilando un voluminoso y multifacético corpus artístico de representaciones del tema. De hecho, si las artes plásticas acompañaran el debate ideológico alrededor del Fado- que se prolongó hasta el último cuartel del siglo XX- su contribución fue inequívoca para el reconocimiento de su lugar de absoluta centralidad, en nuestra matriz cultural.

Obra-prima de un colectivo, ars populi, que continuamente nos remete para un espacio de emoción compartida, topos ineludibles de nuestro imaginario identificándonos entre nosotros y delante de otros a lo largo de casi dos siglos de Fado diseñado una ruta de suceso y consagración construido en permanente dialogo con las artes visuales.

Sara Pereira- Directora Museu do Fado

No pierdas esta oportunidad!!

50 erros de português que você não pode mais cometer

50 erros de português

que você não pode mais cometer

Como qualquer outra disciplina, o português pode ser fácil para uns e difícil para outros. Além disso, a língua é viva, se altera com o passar dos anos, recebe influências do meio e, claro, conta com um amplo conjunto de regras que inegavelmente podem confundir.

— É certo dizer que o tempo presente, o grau de escolaridade e a classe social impactam em como produzo meu texto. Mas também é fato que o domínio da língua é diretamente proporcional ao volume de leitura. A dica é ler jornais, livros de bons autores e não ter vergonha de procurar o significado de uma palavra que não conhece —, recomenda o professor Caco Penna, do CPV Educacional.

Segundo Caco, as mudanças dos últimos anos no Enem resultaram em provas mais focadas no caráter sociolinguístico do que propriamente na gramática. Mesmo assim, essas são questões ainda relevantes na redação e muito presentes nos vestibulares. Indo muito além dos testes, vale lembrar que em toda a vida você vai lidar com as artimanhas do português. Nada mais queima o filme do que falar errado em uma entrevista de emprego ou enviar um e-mail profissional cheio de deslizes, por exemplo.

Para evitar essas derrapadas, listamos as 50 dúvidas gramaticais que mais costumam gerar erros. A lista foi elaborada com ajuda dos professores Simone Motta, coordenadora de Português do Grupo Etapa, Eduardo Calbucci, supervisor de Português do Anglo, e do próprio Caco.

50 DÚVIDAS DO PORTUGUÊS ESCLARECIDAS

  1. Por que/Porque

Para começar, uma confusão que acompanha gerações:

Usa-se “por que” para perguntas, mesmo que implícitas. Exemplos: “Por que ela ainda não chegou?” e “Ele não sabe por que está aqui”.

Usa-se “porque” para respostas. Se consegue substituir por “pois”, essa é a forma correta: “Não foi trabalhar porque estava doente”.

  1. Por quê/Porquê

No final de uma frase, seguido de pontuação (exclamação, interrogação, reticências), o correto é “por quê”, como em: “Estou chateado. Sabe por quê?”.

Já o “porquê” tem exatamente o mesmo sentido de motivo ou razão, por exemplo: “Não sabia o porquê de tanta pressa”.

  1. De segunda a sexta (certo)/De segunda à sexta (errado)

Outro elemento de confusão frequente, a crase pode ser explicada como a junção de duas letras em uma só: a preposição “a” e o artigo feminino “a”. Então, se você tenta ler uma sentença com “a a” e não faz sentido, provavelmente não há crase. Logo, o correto é “de segunda a sexta”.

  1. A prazo (certo)/À prazo (errado)

Como no caso anterior, a leitura com “a” duplicado não faz sentido. Além disso, não se aplica a crase antes de substantivos masculinos, como é o caso de “prazo”.

  1. A você (certo)/À você (errado)

Não há crase antes de pronomes pessoais (eu, você, ele, ela, nós, vocês, eles, elas).

  1. Das 9h às 18h (certo)/Das 9h as 18h (errado)

No caso de horas expressas, há crase quando a preposição “de” aparece combinada com artigo (de + as), mesmo que implícito como em “horário da prova: 8h às 11h”. Sendo assim, o correto é “das 9h às 18h”.

  1. Mal/Mau

“Mal” é substantivo quando precedido de artigo, como em “o mal do mundo”, e advérbio quando acompanha verbo ou adjetivo. Resumidamente, é o contrário de “bem”.

“Mau” é adjetivo quando vem antes de substantivos, com os quais concorda. É o oposto de “bom”.

  1. Mas/Mais

“Mas” é conjunção adversativa e tem o mesmo valor de “porém”, “contudo” ou “entretanto”.

“Mais” é advérbio de intensidade ou conjunção aditiva, indicando adição ou acréscimo. É também o oposto de “menos”.

  1. Haver/A ver

“A confusão entre as expressões se dá porque a pronúncia é a mesma”, explica o professor Eduardo Calbucci. “Haver” é verbo e significa “existir”. “Ter a ver” é “ter ligação”.

  1. Traz/Trás/Atrás

Segundo a professora Simone Motta, é bem comum se deparar com trocas de letra entre as palavras – erroneamente ‘tras’ e ‘atráz’ – por conta da sonoridade semelhante entre elas. Apesar disso, é fácil diferenciar: “traz” vem do verbo “trazer” (com Z, portanto); “trás” e “atrás” são advérbios e indicam posição (“ficará para trás”, “atrás da porta”).

  1. Haja/Aja

Novamente a semelhança sonora induzindo ao erro. Para esclarecer: “haja” é conjugação do verbo “haver”, de existir. “Aja” vem do verbo “agir”: “Aja com cuidado”.

  1. Interveio (certo)/Interviu (errado)

Esse é um verbo que se conjuga como “vir”, de que é derivado, sendo “interveio” a forma correta: “A polícia interveio na briga”.

  1. Vêm/Têm

Os verbos “ter” e “vir” devem ser acentuados quando estiverem na 3ª pessoa do plural: “Eles sempre vêm de táxi, porque eles não têm carro”.

  1. Em vez de/Ao invés de

Para indicar apenas uma coisa no lugar de outra, usa-se “em vez de”. Para mostrar opostos, vá de “ao invés de”, como no exemplo: “Ao invés de ser o primeiro, ele foi o último”.

  1. Onde/Aonde

“Onde” é o lugar em que alguém ou alguma coisa está. “Aonde” está relacionado a movimento. Por isso, quem vai, vai “a” algum lugar: “vai aonde”.

  1. Demais/De mais

Na maior parte dos casos, emprega-se o advérbio “demais”, que significa excessivamente, muito. Já a locução “de mais” é comparável à expressão “a mais”, como em “nem sal de mais, nem de menos”. “De mais” também é associada a estranheza: “Não vejo nada de mais naquilo”.

  1. Em princípio/A princípio

“Em princípio” assemelha-se a “em tese”. “A princípio” é como “no início”.

  1. Uso do hífen

O prefixo terminado por vogal é separado por hífen se a palavra seguinte começar com a mesma vogal ou H. Caso contrário, sem hífen. Exemplos: autoescola, micro-ondas, semianalfabeto, autoestima.

  1. Tachar/Taxar

“Tachar” significa “denominar, chamar de, considerar”. Já “taxar” é impor uma taxa ou imposto. Portanto, contextos diferentes.

  1. Através de/Por meio de

Expressões com significados distintos. “Através de” expressa a ideia de atravessar, indica um movimento físico. “Por meio de” é semelhante a “por intermédio de” e se relaciona a “instrumento para a realização de algo”. Portanto, ao começar um e-mail, por exemplo, o correto é “Venho por meio deste”, e não “Venho através deste”.

  1. Vírgula entre sentenças

Quando as duas frases possuírem sujeitos diferentes, usa-se a vírgula antes da conjunção “e”.

Errado: A mãe demorou para chegar e o filho ficou desesperado.

Certo: A mãe demorou para chegar, e o filho ficou desesperado.

  1. Eu/Mim

O pronome reto “eu” é utilizado apenas na posição de sujeito do verbo. Nas demais situações, usa-se o pronome oblíquo “mim”.

Errado: Não há mais nada entre eu e você.

Certo: Não há mais nada entre mim e você.

  1. Haver/Fazer

Ambos os verbos, quando indicam passagem de tempo, não ganham plural: “Não conversávamos havia três anos” e ” Faz três anos que não nos vemos”.

  1. Haver/Existir

No sentido de “existir”, o verbo “haver” não vai para o plural. O verbo “existir” pluraliza normalmente: “Na reunião, existiam cerca de 60 pessoas”.

Errado: Na reunião, haviam cerca de 60 pessoas.

Certo: Na reunião, havia cerca de 60 pessoas.

  1. Assistir ao/Assistir o

Quando usado no sentido de “ver”, o verbo “assistir” rege a preposição “a”: “Assistiu ao programa”. Já no sentido de “ajudar” ou “prestar auxílio”, o verbo vem sem a preposição: “O técnico assistiu o cliente durante a instalação do equipamento”.

  1. Afim/A fim de

“Afim” pode ser adjetivo ou substantivo e, nos dois casos, é associado a “parecido”, “similar” e “semelhante”. “A fim de” é locução prepositiva e está ligada à ideia de intenção ou finalidade, como em “aceitei ir à festa a fim de conhecê-lo melhor”.

  1. Obrigado/Obrigada

Essa regra é muito simples. Homens dizem “obrigado”. Mulheres dizem “obrigada”. Pronto!

  1. Bem-vindo (certo)/Benvindo (errado)

O Novo Acordo Ortográfico não alterou a escrita da palavra “bem-vindo”. Apesar de novas regras gramaticais em relação ao uso do hífen, ela continua como antes.

  1. Beneficente (certo)/Beneficiente (errado)

A forma correta é “beneficente”. “Beneficiente” não existe na Língua Portuguesa.

  1. Menos (certo)/Menas (errado)

Apesar de memes como “miga, seja menas”, a palavra “menas” não existe na nossa gramática. Escolha sempre “menos” em suas redações e e-mails formais.

  1. Deixa eu escrever/Deixa-me escrever

Quando os verbos “deixar”, “fazer”, “ver” e “mandar” vêm seguidos de infinitivo, usam-se os pronomes oblíquos no padrão culto da língua: “Deixa-me escrever”. Aqui, porém, um adendo. “Esse tipo de construção com pronomes retos (‘deixa eu estudar’, ‘deixa ele estudar’) está se tornando cada vez mais comum, fundamentalmente na linguagem oral”, destaca o professor Eduardo Calbucci, em uma ressalva de que o certo e o errado podem não ser absolutos se levarmos em consideração a evolução da língua.

  1. Seguem anexos os documentos (certo)/Seguem os documentos em anexo (errado)

Expressões bem comuns em e-mails. Se funciona como adjetivo, indicando que algo está ligado, a palavra “anexo” não exige o uso de “em” e deve concordar em gênero e número com o substantivo a que se refere – no caso, “documentos”. De outra forma, se o interlocutor quer dizer o modo pelo qual algo está sendo enviado, é preferível dizer “no anexo” em vez de “em anexo”.

  1. Proibida a entrada (certo)/Proibido a entrada (errada)

O sujeito da oração é “a entrada”, feminino e acompanhado de artigo, por isso “proibido” concorda com “entrada”: “Proibida a entrada”.

  1. Vamos nos ver amanhã? (certo)/ Vamos se ver amanhã? (errado)

O sujeito do verbo “vamos” é de primeira pessoa do plural (nós), por isso a forma correta é “vamos nos ver”.

  1. Senão/Se não

A escolha depende bastante do que você quer expressar. “Senão” é “caso contrário” ou “a não ser”. “Se não” mostra uma condição, como em “se não sabe como fazer, não faça”.

  1. Dia a dia/Frente a frente/Cara a cara

Nenhuma das expressões tem acento no “a”. O acento grave não deve ser utilizado em termos com palavras repetidas.

  1. Meio-dia e meia (certo)/ Meio-dia e meio (errado)

Quando a palavra “hora”, aqui implícita, é fracionada, sempre utiliza-se “meia” – portanto, “meio-dia e meia”. “Meia” é numeral fracionário e deve concordar em gênero com a unidade fracionada. Outra coisa: “meio-dia” permanece com hífen, mesmo após o Novo Acordo Ortográfico.

  1. Eminente/Iminente

Formas parecidíssimas, significados diferentes e grande chance de confusão. Para memorizar: “eminente” está relacionado a qualidade, excelência, como em “é um profissional eminente”; já “iminente” indica que “vai acontecer em breve”.

  1. Descrição/Discrição

Mais um caso de grafia e pronúncia semelhantes e significados distintos. “Descrição” está relacionada ao ato de detalhar algo, reunir características. Entre seus sinônimos, dependendo do contexto, estão palavras como “exposição” e “apresentação”. Já “discrição” é a qualidade de alguém ou algo discreto, que não chama muita atenção.

  1. Sessão/Seção

A forma com S, “sessão”, é o intervalo de tempo em que alguma coisa acontece, por isso sessão de cinema, sessão fotográfica, sessão da tarde… Já “seção” é como divisão, uma parte de um todo, daí seção eleitoral, seção feminina e seção do jornal, por exemplo.

  1. Admitem-se vendedores (certo)/ Admite-se vendedores (errado)

No exemplo, o verbo “admitir” é transitivo direto. Como tal, não exige preposição entre ele e o objeto da frase e concorda em número com o sujeito. Portanto, o correto é dizer “admitem-se vendedores”.

  1. Precisa-se de vendedores (certo)/ Precisam-se de vendedores (errado)

Já nesse exemplo, a maneira correta é “precisa-se de vendedores”. Quem precisa, precisa “de” algo, daí a necessidade da preposição. Como verbo transitivo indireto, portanto, “precisar” permanece no singular.

  1. Supor/Transpor

Os verbos derivados do verbo “pôr” serão conjugados como o verbo primitivo.

Errado: Se você supor que o seu plano dará certo, nós poderemos executá-lo.

Certo: Se você supuser que o seu plano dará certo, nós poderemos executá-lo.

  1. Manter/Conter

Os verbos derivados do verbo “ter” serão conjugados como o verbo primitivo.

Errado: Se você manter a rotina de treinos, alcançará excelentes resultados.

Certo: Se você mantiver a rotina de treinos, alcançará excelentes resultados.

  1. Tinha chego/Tinha chegado

Existem alguns verbos, chamados de abundantes, que admitem duas formas de particípio passado, entre eles “aceitar” (aceitado e aceito), “imprimir” (imprimido e impresso) e “eleger” (elegido e eleito). “Por analogia, obtêm-se formas como ‘chego’, ainda não acolhidas pela norma culta”, explica o professor Eduardo Calbucci. Ou seja, vá de “tinha chegado”.

  1. Na minha opinião (certo)/ Na minha opinião pessoal (errado)

“Na minha opinião pessoal” é um pleonasmo, ou seja, a repetição desnecessária de uma informação, uma redundância: sua opinião já é pessoal. Por isso, diz-se apenas “na minha opinião”.

  1. Anos atrás (certo)/ Há anos atrás (errado)

“Há anos atrás” também é um pleonasmo, pois o verbo “há”, nesse sentido, já indica passagem do tempo. Diga apenas “há anos” ou “anos atrás”.

  1. De encontro a/Ao encontro de

Aqui temos praticamente opostos em termos de sentido. “De encontro a” expressa conflito, como em “sua opinião foi de encontro ao que ele acreditava”. Já “ao encontro de” expressa satisfação, “estar de acordo com”, ir “em direção a”: “Uma lei que vem ao encontro dos menos favorecidos”.

  1. Por hora/Por ora

As duas expressões existem, mas dependem do contexto. “Por hora” está relacionada a um intervalo de 60 minutos: “Pedala 20 km por hora”. “Por ora” significa, simplesmente, “por enquanto”.

  1. Ratificar/Retificar

Verbos com sentidos bem diferentes: “ratificar” é confirmar; “retificar” é corrigir.

Texto de O Globo

Semana do livro: “O Cavaleiro da Dinamarca” Sophia de Mello Breyner (A1 a C2)

A Dinamarca fica no Norte da Europa. Ali os Invernos são longos e rigorosos com noites muito compridas e dias curtos, pálidos e gelados. A neve cobre a terra e os telhados, os rios gelam, os pássaros emigram para os países do Sul à procura de sol, as árvores perdem as suas folhas. Só os pinheiros continuam verdes no meio das florestas geladas e despidas. Só eles, com os seus ramos cobertos por finas agulhas duras e brilhantes, parecem vivos no meio do grande silêncio imóvel e branco.

Há muitos anos, há dezenas e centenas de anos, havia em certo lugar da Dinamarca, no extremo Norte do país, perto do mar, uma grande floresta de pinheiros, tílias, abetos e carvalhos. Nessa floresta morava com a sua família um Cavaleiro. Viviam numa casa construída numa clareira rodeada de bétulas. E em frente da porta da casa havia um grande pinheiro que era a árvore mais alta da floresta.

Na Primavera as bétulas cobriam-se de jovens folhas, leves e claras, que estremeciam à menor aragem. Então a neve desaparecia e o degelo soltava as águas do rio que corria ali perto e cuja corrente recomeçava a cantar noite e dia entre ervas, musgos e pedras. Depois a floresta enchia-se de cogumelos e morangos selvagens. Então os pássaros voltavam do Sul, o chão cobria-se de flores e os esquilos saltavam de árvore em árvore. O ar povoava-se de vozes e de abelhas e a brisa sussurrava nas ramagens.

Nas manhãs de Verão verdes e doiradas, as crianças saíam muito cedo, com um cesto de vime enfiado no braço esquerdo e iam colher flores, morangos, amoras, cogumelos. Teciam grinaldas que poisavam nos cabelos ou que punham a flutuar no rio. E dançavam e cantavam nas relvas finas sob a sombra luminosa e trémula dos carvalhos e das tílias. Passado o Verão, o vento de Outubro despia os arvoredos, voltava o Inverno, e de novo a floresta ficava imóvel e muda, presa em seus vestidos de neve e gelo.

No entanto, a maior festa do ano, a maior alegria, era no Inverno, no centro do Inverno, na noite comprida e fria do Natal.

Então havia sempre grande azáfama em casa do Cavaleiro. Juntava-se a família e vinham amigos e parentes, criados da casa e servos da floresta. E muitos dias antes já o cozinheiro amassava os bolos de mel e trigo, os criados varriam os corredores, e as escadas e todas as coisas eram lavadas, enceradas e polidas. Em cima das portas eram penduradas grandes coroas de azevinho e tudo ficava enfeitado e brilhante. As crianças corriam agitadas de quarto em quarto, subiam e desciam a correr as escadas, faziam recados, ajudavam nos preparativos. Ou então ficavam caladas e, cismando, olhavam pelas janelas a floresta enorme e pensavam na história maravilhosa dos três reis do Oriente que vinham a caminho do presépio de Belém.

Lá fora havia gelo, vento, neve. Mas em casa do Cavaleiro havia calor e luz, riso e alegria.

E na noite de Natal, em frente da enorme lareira, armava-se uma mesa muito comprida onde se sentavam o Cavaleiro, a sua mulher, os seus filhos, os seus parentes e os seus criados.

Os moços da cozinha traziam as grandes peças de carne assada e todos comiam, riam e bebiam vinho quente e cerveja com mel. 

Terminada a ceia começava a narração das histórias. Um contava histórias de lobos e ursos, outro contava histórias de gnomos e anões. Uma mulher contava a lenda de Tristão e Isolda e um velho de barbas brancas contava a lenda de Alf, rei da Dinamarca, e de Sigurd. Mas as mais belas histórias eram as histórias do Natal, as histórias dos Reis Magos, dos pastores e dos Anjos.

A noite de Natal era igual todos os anos. Sempre a mesma festa, sempre a mesma ceia, sempre as grandes coroas de azevinho penduradas nas portas, sempre as mesmas histórias. Mas as coisas tantas vezes repetidas, e as histórias tantas vezes ouvidas pareciam cada ano mais belas e mais misteriosas.

Até que certo Natal aconteceu naquela casa uma coisa que ninguém esperava. Pois terminada a ceia o Cavaleiro voltou-se para a sua família, para os seus amigos e para os seus criados, e disse:

— Temos sempre festejado e celebrado juntos a noite de Natal. E esta festa tem sido para nós cheia de paz e alegria. Mas de hoje a um ano não estarei aqui. 

— Porquê? — perguntaram os outros todos com grande espanto.

— Vou partir — respondeu ele. — Vou em peregrinação à Terra Santa e quero passar o próximo Natal na gruta onde Cristo nasceu e onde rezaram os pastores, os Reis Magos e os Anjos. Também eu quero rezar ali. Partirei na próxima Primavera. De hoje a um ano estarei em Belém. Mas passado o Natal regressarei aqui e de hoje a dois anos estaremos, se Deus quiser, reunidos de novo. 

SOBRE O LIVRO

Metas Curriculares / Plano Nacional de Leitura
Livro indicado pelas Metas Curriculares para o trabalho da Educação Literária no 7.° ano e recomendado pelo PNL para leitura orientada no 7.° ano de escolaridade.
O Cavaleiro da Dinamarca
No regresso de uma longa peregrinação à Palestina, o Cavaleiro tem apenas um desejo: voltar a casa a tempo de celebrar o Natal com a sua família. Nessa viagem, maravilha-se com as cidades de Veneza e Florença, e ouve histórias espantosas sobre pintores, poetas e navegadores. São muitas as dificuldades com que se depara, mas uma força inabalável parece ajudá-lo a passar essa noite tão especial com aqueles que mais ama…

SOBRE A AUTORA

Sophia de Mello Breyner Andresen nasceu a 6 de novembro 1919 no Porto, onde passou a infância. Em 1939-1940 estudou Filologia Clássica na Universidade de Lisboa. Publicou os primeiros versos em 1940, nos Cadernos de Poesia. Na sequência do seu casamento com o jornalista, político e advogado Francisco Sousa Tavares, em 1946, passou a viver em Lisboa. Foi mãe de cinco filhos, para quem começou a escrever contos infantis. Além da literatura infantil, Sophia escreveu também contos, artigos, ensaios e teatro. Traduziu Eurípedes, Shakespeare, Claudel, Dante e, para o francês, alguns poetas portugueses.

Em termos cívicos, a escritora caracterizou-se por uma atitude interventiva, tendo denunciado ativamente o regime salazarista e os seus seguidores. Apoiou a candidatura do general Humberto Delgado e fez parte dos movimentos católicos contra o antigo regime, tendo sido um dos subscritores da “Carta dos 101 Católicos” contra a guerra colonial e o apoio da Igreja Católica à política de Salazar. Foi ainda fundadora e membro da Comissão Nacional de Apoio aos Presos Políticos. Após o 25 de Abril, foi eleita para a Assembleia Constituinte, em 1975, pelo círculo do Porto, numa lista do Partido Socialista. Foi também público o seu apoio à independência de Timor-Leste, consagrada em 2002.

A sua obra está traduzida em várias línguas e foi várias vezes premiada, tendo recebido, entre outros, o Prémio Camões 1999, o Prémio Poesia Max Jacob 2001 e o Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-Americana – a primeira vez que um português venceu este prestigiado galardão. Com uma linguagem poética quase transparente e íntima, ao mesmo tempo ancorada nos antigos mitos clássicos, Sophia evoca nos seus versos os objetos, as coisas, os seres, os tempos, os mares, os dias.
Faleceu a 2 de julho de 2004, em Lisboa. Dez anos depois, em 2014, foram-lhe concedidas honras de Estado e os seus restos mortais foram trasladados para o Panteão Nacional.

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