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Você sabe o que é uma jangada?

By 29 de abril de 2017Practica português

Prof: Natasha Moura (nível intermediário)

Todos os que já estiveram em alguma das praias do nordeste brasileiro, provavelmente se surpreenderam ao ver pequenos pontos brancos no meio do mar azul. E embora pudessem pensar em nuvens baixas ou ondas distantes, a verdade é que estavam vendo jangadas. Essas pequenas embarcações com uma única vela branca, onde os pescadores locais se aventuram no oceano para trazer o sustento de suas famílias.

playa Brasil Pesca

No Nordeste a figura do pescador é muito importante, devido à falta de chuvas na região, desde o princípio a pesca se tornou uma fonte de renda e de alimento. A imagem do pescador é vista como símbolo de valentia, e essa valentia está intimamente relacionada com a jangada. Ao sair mar adentro, enfrentando-se aos perigos que se escondem nas ondas, tendo como único refúgio essa pequena prancha de madeira, de aparência quase frágil, não podemos negar que é preciso ter coragem. E devido à sua importância, junto a figura do pescador, se converteu num símbolo do nordeste brasileiro.

A pesca artesanal sustenta a mais ou menos 5 milhões de brasileiros que para cumprir com o oficio, utilizam essa antiga embarcação. Ninguém sabe com certeza qual é a origem da jangada, a única coisa certa que sabemos, é que o nome tem sua origem na Malásia, porém ali não existem barcos como este. A teoria mais aceitada hoje em dia é que a jangada seria uma evolução do piperi, um tipo de bote feito com três troncos amarrados e que era utilizado pelos índios já antes da chegada dos europeus ao Brasil, e que a jangada seria o resultado da mistura dessas duas culturas.

Otávio Nogueira Pesca Artesanal

Fotografía: Otávio Nogueira Attribution 2.0 Generic (CC BY 2.0)

Em cinco séculos, a jangada mudou pouco. Na original, a madeira utilizada era a piúba, uma madeira que apesar de flutuar bem, sua duração era muito curta, um ano aproximadamente. Hoje em dia elas são feitas com tábuas de madeira mais resistentes e podem chegar a durar 30 anos. Desse modo, uma mesma jangada pode servir para mais de uma geração. Outra mudança, é que nos últimos anos a tradicional vela branca vem sendo substituída por velas de todas as cores. Outra tendência comum nesses últimos anos, é que em algumas praias se realizam passeios de jangadas para os turistas mais aventureiros.

Infelizmente, cada vez vemos menos delas pelo litoral. A maioria dos pescadores agora utilizam outras embarcações mais modernas e mais seguras. O arquiteto brasileiro Nearco Araújo, preocupado pelo futuro incerto desse símbolo nordestino, investigou sua história e também sua fabricação durante oito anos e registrou tudo em um livro com o objetivo de preservar esse conhecimento e desse modo evitar que um dia a jangada possa cair no esquecimento. O livro, que se chama Vento, velas e veleiros conta com ilustrações e segundo o autor, se um dia alguém seguir as instruções consegue fabricar uma jangada. Uma maneira de garantir a sobrevivência de um dos principais símbolos da cultura do nordeste brasileiro.

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