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Quando nos tuteamos?

By 4 de mayo de 2017Practica português

Prof: Ana Filipa Ferreira
Nível: todos

 O problema das formas de tratamento em Português Europeu

A questão das formas de tratamento em Português Europeu dá pano para mangas: o debate entre os falantes nativos mantém-se vivo. Teremos de aceitar que há perspectivas díspares e usos diferentes – que variam um pouco por região, de acordo com costumes familiares e ainda por gosto individual.

Em geral, as pessoas tratam-se por tu quando se conhecem bem, num ambiente de amizade e familiaridade. As crianças e jovens habitualmente tratam-se por tu; o mesmo é costume entre familiares da mesma geração ou quando alguém mais velho se dirige a uma criança ou jovem. Entre colegas de estudo da mesma idade é usual o tutear, desde que se é criança até aos estudos superiores.

TU?

Entre adultos que não são familiares é regular a utilização da forma de tratamento “você”. Por um lado, é um tratamento de cortesia – seria rude chegarmos a um estabelecimento e falarmos com um funcionário usando a forma “tu”, especialmente se não conhecemos essa pessoa, mesmo que tenhamos aproximadamente a mesma idade. Por outro lado, mantém-se um distanciamento que marca de forma clara os limites da relação que estabelecemos com aquela pessoa – “tu” reservamos para os amigos e a família, pessoas que nos conhecem mais intimamente.

As outras pessoas são “o senhor”, “a senhora” ou “você”. Algumas situações requerem que se adicione o título académico do interlocutor, sendo os mais frequentes: “Senhor(a) Doutor(a)” para o médico; “Senhor(a) Professor(a)” ou “Professor(a)”, especialmente na universidade; no ensino escolar a forma comum é “stôr(a)” (que vem de “senhor doutor”).

No entanto, algumas pessoas ofendem-se quando o vocativo “você” é expresso, apoiando-se num velho adágio “Você é estrebaria e é lá que você se cria.” Tal como há quem não goste de cor-de-laranja ou de roxo, também o uso do vocativo “você” é uma questão de gosto.

(Você)

O problema que se apresenta é fácil de resolver: tratemo-nos por “você” omitindo o vocativo do pronome.
Explícito pode causar fricção, mas não ofenderá se estiver omisso.

Podemos conversar com alguém utilizando a forma de tratamento “você” (que se conjuga como a 3ª pessoa do singular) sem chegar a dizer “você”. Ao interpelarmos um desconhecido, de vez de “Você podia dizer-me as horas?”, digamos “Podia dizer-me as horas?”. Se for um conhecido, usemos o seu nome: “Maria, tem horas que me diga?”, “Bom dia, D. Antónia, como está?” ou “Trazia-me um café, Joaquim, se faz favor.”

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