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As Armas de Ceuta

By 4 de mayo de 2017Practica português

Prof: Nuno Ferreira

Para um turista português, ou para qualquer viajante com algum conhecimento dos símbolos nacionais portugueses, a bandeira de Ceuta poderá causar uma boa medida de perplexidade e espanto.

Na verdade, ver-se-á na bandeira nada mais nada menos que as armas de Portugal sobre o branco e preto da cidade de Lisboa. Longe de ser uma coincidência bizarra, este facto tem uma explicação histórica que remonta ao início do século XV, altura em que a cidade de Ceuta foi conquistada pelo reino de Portugal.

Bandera de Portugal

Antes de se aventurar por mares nunca dantes navegados, Portugal procurou estabelecer o seu domínio marítimo com a captura de cidades portuárias no Norte de África. Algumas dessas expedições correram bem, nomeadamente aquela que partiu de Lisboa, com o respetivo estandarte, para conquistar Ceuta.

É por essa razão que as bandeiras das duas cidades são idênticas; difere apenas o brasão central, que no caso da cidade de Lisboa celebra a trasladação dos restos mortais de São Vicente, velados por dois corvos, para a capital portuguesa.

Outras expedições ao Norte de África, no entanto, correram mal, como aquela que viu o Infante D. Fernando, irmão do rei D. Duarte, ser capturado em Fez. Como preço da libertação de D. Fernando foi exigido a D. Duarte que abandonasse Ceuta; o resgate não foi pago, e o Infante foi enforcado nas muralhas da cidade.

Assim se vê a importância estratégica e simbólica que Ceuta teve para Portugal, e daí também lhe ter sido concedido o direito de usar as armas do reino na sua bandeira. O brasão pouco difere dos das bandeiras portuguesas da época, e as diferenças (a coroa e a posição dos castelos) têm simplesmente a ver com convenções heráldicas que denotam o estatuto de Ceuta relativamente à metrópole.

Bandera de Ceuta

Ceuta permaneceria sob domínio português até ao final da União Ibérica, em 1640. Mesmo durante a união das coroas ibéricas era Portugal que administrava os territórios do seu império, incluindo Ceuta. Quando em 1640 é proclamada a restauração da independência todos os territórios ultramarinos portugueses seguiram o apelo. Todos exceto um: Ceuta.

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